Autismo

O Autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afecta a capacidade de comunicação do indivíduo, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente – segundo as normas que regulam essas respostas.

Segundo Sally Hewitt, as características marcantes do autismo clássico são:

  • Uma inabilidade comum a todos os indivíduos para desenvolver relacionamentos
  • Competências de interacção limitadas, que vão desde a dificuldade em manter contacto visual até uma inabilidade para manter uma conversa, para socializar ou para partilhar.
  • Uma preferência por jogos repetitivos e estereotipados, como a construção de torres com módulos, ou a arrumação de objectos favoritos em longas filas.
  • Uma preferência e um fascínio por objectos que podem ser manipulados através de movimentos repetitivos de motricidade fina, particularmente por aqueles que podem ser postos a girar.
  • Um desejo obsessivo de conservação da uniformidade, incluindo as rotinas.
  • Uma perturbação extrema quando as rotinas são inesperadamente alteradas.
  • Uma hipersensibilidade aos estímulos ambientais; a resposta a uma carga excessiva de estímulos pode tomar  a forma de um movimento de baloiço do corpo ou de tapar os ouvidos  com as mãos.
  • Uma boa capacidade de memorização de rotinas
  • Um acentuado atraso ou um notório insucesso na aquisição da linguagem.
  • Um uso pouco vulgar da linguagem, de uma forma não comunicativa.

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A Hipoterapia

A hipoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza, como recurso, as deslocações do cavalo e os seus movimentos tridimensionais (para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, para a frente e para trás), similares aos padrões do movimento humano. Esta actividade apresenta-se, como meio de reabilitação das PES, na medida em que a adaptação aos movimentos do cavalo e ao seu corpo quente, macio e ondulante regulariza o tónus muscular, melhora a elasticidade e flexibilidade: aumenta a mobilidade e a percepção corporal; exercita o equilibrio e a coordenação; melhora a acuidade visual, táctil, auditiva e olfactiva; aumenta a capacidade de concentração; consolida as sensações, percepções e funções emocionais, estimulando a relação afectiva. De salientar também que a escolha dos cavalos para estas sessões recai sobre animais calmos e dóceis.

 

 Musicoterapia

A musicoterapia é uma ciência paramédica que utiliza a música e os seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia, além de movimentos, a expressão corporal, dança e qualquer outra forma de comunicação verbal e não verbal, com objectivos terapêuticos.

Desenvolve-se por um processo coordenado por um musicoterapeuta qualificado, com um paciente ou grupo. O objectivo é possibilitar aos pacientes a abertura de canais de comunicação e/ou reabilitação de necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.

Os musicoterapeutas trabalham com uma gama variada de pacientes, entre os quais: autistas, pessoas com dificuldades motoras, pacientes com deficiência mental, paralisia cerebral, pacientes psiquiátricos, idosos, etc.

 

 

O trabalho pode ser desenvolvido dentro de equipas de saúde multidisciplinares, em conjunto com professores, médicos, psicólogos, terapeutas da fala, ocupacionais, fisioterapeutas.

O processo da musicoterapia pode desenvolver-se de acordo com vários métodos:

  • Receptivos, quando o musicoterapeuta toca música para o paciente. Este tipo de sessão normalmente limita-se a pacientes com grandes dificuldades motoras ou em apenas uma parte do tratamento, com objectivos específicos.
  • Activa, quando o próprio paciente toca os instrumentos musicais, canta, dança ou realiza outras actividades em conjunto com o terapeuta. 

A música desempenha um papel preponderante no desenvolvimento do ser humano a até nos animais, um som muito alto poderá deixar alguém alerta ou assustado, assim como determinadas músicas podem gerar todo um conjunto de emoções. Isto porque, há uma descarga de adrenalina e o indíviduo fica alerta para se proteger, agir, reagir, etc…. Os efeitos são psicológicos e orgânicos.

A musicoterapia trabalha todo um conjunto de sons de forma a produzir efeitos biológicos e para eliminar patologias ou dificuldades. Os sons podem acalmar ou excitar.

A Triade de Perturbações no autismo

As pessoas com autismo têm três grandes grupos de perturbações. Segundo LornaWing, a partir de uma investigação feita em Camberwell, a tríade de perturbações no autismo manifesta-se em três domínios: social, linguagem e comunicação, pensamento e comportamento.

  • Domínio social: o desenvolvimento social é perturbado, diferente dos padrões habituais, especialmente o desenvolvimento interpessoal. A criança com autismo pode isolar-se mas pode também interagir de forma estranha, fora dos padrões habituais.
  • Domínio da linguagem e comunicação: a comunicação, tanto verbal como não verbal é deficiente e desviada dos padrões habituais. A linguagem pode ter desvios semânticos e pragmáticos. Muitas pessoas com autismo (estima-se que cerca de 50%) não desenvolvem linguagem durante toda a vida.
  • Domínio do pensamento e do comportamento: rigidez do pensamento e do comportamento, fraca imaginação social. Comportamentos ritualistas e obsessivos, dependência em rotinas, atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.

O diagnóstico do autismo é hoje efectuado a partir das características definidas no DSMIV- TR.

Causas do autismo

Uma das primeiras perguntas que os pais ou os profissionais fazem é: “Quais as causas do autismo?”

Nos anos 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo residia nos problemas de interacção da criança com os pais. Várias teorias sem base científica e de inspiração psicanalítica culpabilizavam os pais, em especial as mães, por não saberem dar respostas efectivas aos seus filhos. Esse período foi dramático e levou algumas mães a tratamento psiquiátrico e em extremo, ao suicídio.

A partir dos anos 60, a investigação científica, baseada sobretudo em estudos de casos de gémeos e nas doenças genéticas associadas ao autismo(X Frágil, esclerose tuberosa, neurofibromatose, diversas anomalias cromossómicas) mostrou a existência de um factor genético multifactorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Estas causas são diversas e reflctem a diversidade das pessoas com autismo.

  • Parece haver genes candidatos, ou seja uma predisposição para o autismo o que explica a incidência de casos de autismo nos filhos de um mesmo casal. É possível existirem factores hereditários com uma contribuição genética complexa  e multidimensional.
  • Alguns factores pré natais (ex. rubéola materna, hipertiroidismo) e peri natais (ex. prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções graves neonatais, traumatismo de parto) podem ter grande influência no aparecimento das perturbações do espectro do autismo.
  • Há uma grande incidência de epilepsia na população autista (26 a 47%) enquanto na população em geral a incidência é de cerca de 0,5%.
  • Há também estudos post mortem em curso sobre as anomalias nas estruturas (cerebelo, hipocampus, amígdala) e funções cerebrais das pessoas com autismo.

É  necessário continuar a desenvolver a investigação sobre o autismo e, embora haja muitos estudos em curso, ignoramos qual o seu impacto no futuro das crianças e jovens com autismo.

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Mundo Autista

TEACH

Um modelo de atendimento a crianças com perturbações do Espectro do Autismo é o denominado “TEACH”(Treatmente and education of autistic and related communication hadicapped children), é um programa altamente estruturado que combina diferentes manuais visuais para aperfeiçoar a linguagem e reduzir comportamentos inapropriados. Assenta numa prática psicopedagógica que observa os comportamentos das crianças em distintas situações, a partir de vários estímulos.

A organização (da sala) da unidade de ensino estruturado é composta por 5 áreas distintas:

  1. Área de Acolhimento, onde se faz diariamente o acolhimento, planeamento para os trabalhos de grupo;
  2. Área de Aprender, são treinadas individualmente competências delineadas nos objectivos do programa educativo;
  3. Área de Brincar, área polivalente que possibilita a estimulação psicomotota, o “jogo a par” ou individual e o relaxamento;
  4. Área do Computador, utilizado como recurso, ajuda a consolidar aprendizagens delineadas no projecto educativo;
  5. Área de Trabalhar, espaço destinado ao trabalho individual onde os alunos realizam de forma independente, segundo o seu plano diário.

Numa perspectiva educacional, o modelo TEACH está no ensino de capacidades de comunicação, organização e prazer na partilha social. Centra-se nas áreas fortes frequantemente encontradas nas pessoas com PEA: processamento visual, memorização de rotinas funcionais e interesses funcionais. Pode ser adaptado a necessidades individuais e a diferentes níveis de funcionamento.

É um modelo suficientemente flexível que se adequa à maneira de pensar e de aprender destas crianças/jovens permitindo ao docente encontrar as estratégias mais adequadas para responder às suas necessidades.

 

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Uma resposta to “Autismo”

  1. carla Says:

    Olá, muitos Parabéns pelo vosso trabalho.
    As vossas páginas são importantes para melhor compreender as várias NEE.
    Tenho 1 filho a frequentar o 1º ciclo, e aquando o seu ingresso ( 2008), deparei-me com a seguinte situação: foi incluído numa turma com 24 crianças em que 2 tinham NEE distintas: Autismo e Hiperactividade.
    Na minha opinião a turma deveria ter menos alunos e cada uma das referidas crianças em salas diferentes para melhor responder às especificidades de todas as crianças. Concordam?
    Considero que os ambientes educacionais regulares devem oferecer a TODAS AS CRIANÇAS IGUALDADE de OPORTUNIDADES e uma melhor preparação para a Vida…… mas sem esquecer as “necessidades das ditas normais “.
    Carla

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