Asperger

O que é Síndroma de Asperger?

A Síndrome de Asperger (SA) foi descrita pela primeira vez, em 1920, por um Neurologista Russo, Schucharewa, como sendo uma perturbação da personalidade do tipo esquizóide (que a grosso modo diz respeito a um individuo que manifeste um padrão persistente de afastamento das relações sociais e uma paleta restrita da expressão emocional em situações de interactividade). Mais tarde, em 1944, Hans Asperger, um Pediatra Austríaco, relatou vários casos de “psicopatia autística infantil”. Já em 1981, a pedopsiquiatra britânica L. Wing denominou esta perturbação como sendo Síndrome de Asperger, em homenagem a Hans Asperger.

Segundo Cumine, Leach e Stevenson (2006), “a síndrome de Asperger implica uma manifestação mais subtil das dificuldades, o que não seja uma forma ligeira de autismo (…) afecta todos os aspectos da vida  de uma criança pode constituir um enorme transtorno para a família . (…) as abordagens em termos de intervenção e do tratamento das crianças no espectro do autismo partilham a mesma base.”

 Segundo Paulo Teixeira, “A Síndrome de Asperger é uma desordem pouco comum, contudo importante na prevenção do processo psicológico de crianças, que tardiamente é diagnosticado devido à falta de conhecimento por parte dos profissionais, nomeadamente dos professores e educadores. Esta síndrome é uma categoria bastante recente na divulgação científica e encontra-se em uso geral nos últimos 15 anos.”    

    CRITÉRIOS DE DIAGONÓSTICO

  • limitação da interacção social bidireccional e inaptidão social generalizada;
  • linguagem peculiar e pedante, de conteúdo estereotipado, mas sem atrasos;
  • capacidades limitadas de comunicação não verbal – poucas expressões faciais ou gestos;
  • resistência às mudanças e gosto por actividades repetitivas;
  • interesses especiais circunscritos e boa capacidade de memorização;
  • fraca coordenação motora, com aspecto e porte peculiares e alguns movimentos estereotipados.

 (Cumine, Leach e Stevenson, 2006)

PROBABILIDADE DE INCIDÊNCIA

 Todos os estudos de prevalência indicaram que é muito maior a probabilidade de incidência nos rapazes do que nas raparigas. (Culmine, Leach e Stevenson, 2006)   

CAUSAS

“São desconhecidas a causa do síndroma, o mais provável é serem um conjunto de factores de desencadeamento, sendo que qualquer um deles, registado num determinado momento e numa dada sequência de circunstâncias, pode dar origem à síndroma de Asperger.   

FACTORES QUE PODEM DESENCADEAR PERTURBAÇÕES NO ESPECTRO DO AUTISMO:   

DISFUNÇÃO CEREBRAL  →  ESPECTRO DO AUTISMO: Biológica;Gravidez/Parto; Neuroquímica; Neurológica;”   

      (Cumine, Leach e Stevenson, 2006)

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

  • INTERACÇÃO SOCIAL

  • COMUNICAÇÃO EM CONTEXTOS SOCIAIS

  • IMAGINAÇÃO SOCIAL E FLEXIBILIDADE DE PENSAMENTO

  • FRACA COORDENAÇÃO MOTORA

  ABORDAGENS DE AVALIAÇÃO

  “A avaliação de crianças com vista a um possível diagonóstico de sídroma de Asperger deve centrar-se essencialmente nos seguintes aspectos: 

  • um conhecimento profundo das explicações psicológicas das limitações subjacentes à síndroma de Asperger;
  • um conhecimento profundo das explicações psicológicas das limitações subjacentes à síndroma de Asperger;
  • a noção da apresentação extremamente individual das limitações caracteristicas da sindroma de asperger;

 Em seguida, este conhecimento de base pode ser utilizado para solicitar : 

  • a recolha cuidadosa e sensível de informação;
  • uma observação informada;
  • a selecção da situação e do contexto;
  • a adopção provisória de acontecimentos interactivos adequados, selecção de tarefas, materiais e procedimentos de avaliação úteis. “

  (Cumine, Leach e Stevenson, 2006)

Ferramentas de diagonóstico e avaliação

(espectro do autismo)  

  “No processo de avaliação, é possivel que sejam utilizadas escalas de classificação desenvolvidas para utilização com crianças com perturbações no espectro do autismo, entre as quais se incluem:

  • Entrevista de Diagonóstico do Autismo (ADI);
  • Plano de Observação do Diagonóstico de Autismo (ADOS);
  • Escala de Classificação do Autismo na Infância (CARS);
  • Perfil Psico-Educacional- Revisto (PEP-R);”

 (Cumine, Leach e Stevenson, 2006)   

 Diagonóstico:

A SA, geralmente é diagnosticada por volta dos 7, 8 anos, contudo no pré-escolar já se verificam alguns indícios, o que acontece nesta altura é que é diagnosticado como sendo uma outra perturbação. Sendo o mais comum, o diagnostico de autismo clássico, dai muitas vezes os diagnósticos serem revistos aos 8 anos.

Segundo Antunes (2009), existem sinais de alerta que permitem diagnosticar a partir dos 18 meses de idade se o individuo tem SA, que são: o atraso da linguagem, a linguagem idiossincrática, a pouca utilização de gestos com intenção comunicativa, comportamentos repetitivos, o isolamento, a indiferença à chamada, a pobreza de jogo simbólico e dificuldades alimentares.

Existem dois critérios de diagnóstico da SA, são eles:

  • Critérios de diagnóstico da SA propostos pela Associação Americana de Psiquiatria, no seu sistema classificativo DSM-IV;

A. Prejuízo qualitativo na interacção social, manifestado por pelo menos dois dos seguintes requisitos:
1. prejuízo acentuado no uso de múltiplos comportamentos não-verbais, tais como contacto visual directo, expressão facial, posturas corporais e gestos para regular a interacção social
2. Fracasso para desenvolver relacionamentos apropriados ao nível de desenvolvimento com seus pares
3.ausência de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (por ex., deixar de mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse a outras pessoas)
4. Falta de reciprocidade social ou emocional
B. Padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e actividades, manifestados por pelo menos um dos seguintes quesitos:
1. insistente preocupação com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesses, anormal em intensidade ou foco
2. Adesão aparentemente inflexível a rotinas e rituais específicos e não funcionais
3. Maneirismos motores estereotipados e repetitivos (por ex., dar pancadinhas ou torcer as mãos ou os dedos, ou movimentos complexos de todo o corpo)
4. Insistente preocupação com partes de objectos
C. A perturbação causa prejuízo clinicamente significativo nas áreas social e ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento.
D. Não existe um atraso geral clinicamente significativo na linguagem (por ex., palavras isoladas são usadas aos 2 anos, frases comunicativas são usadas aos 3 anos).
E. Não existe um atraso clinicamente significativo no desenvolvimento cognitivo ou no desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade, comportamento adaptativo (outro que não na interacção social) e curiosidade acerca do ambiente na infância.
F. Não são satisfeitos os critérios para um outro Transtorno Invasivo do  desenvolvimento ou Esquizofrenia.

  • Critérios de diagnóstico da SA segundo  Gillberg e Gillberg (1989)

1. Dificuldades de socialização – egocentrismo extremo (pelo menos dois dos seguintes critérios):

a) Incapacidade de interagir com os pares;

b) Ausência de desejo de interagir com os pares;

c) Ausência de apreciação de pistas sociais;

d) Comportamento social e emocional desadequado.

2. Interesses restritos (pelo menos um dos seguintes):

a) exclusão de outras actividades;

b) aderência repetitiva;

c) adopção rígida de comportamentos rotineiros.

3. Rotinas repetitivas (pelo menos um dos seguintes):

a) imposição sobre o próprio;

b) imposição sobre outros.

4. Alterações do discurso e da linguagem (pelo menos três dos seguintes):

a) atraso no desenvolvimento da linguagem;

b) linguagem expressiva superficialmente perfeita;

c) linguagem pedante, formal;

d) alterações da prosódia / características vocais particulares;

e) alterações da interpretação, incluindo interpretações erradas de significados literais ou implícitos.

5. Perturbação na comunicação não verbal (pelo menos um dos seguintes):

a) uso limitado do gesto;

b) linguagem corporal desajeitada;

c) expressão facial limitada ou desadequada;

d) olhar fixo, peculiar.

6. Perturbação motora fina ou grossa, manifestada no exame neurodesenvolvimental.

Intervenção

Esta passa pela transmissão de informação detalhada aos pais, aos técnicos que trabalham directamente com o indivíduo, assim como, às instâncias educacionais.

Depois deve-se planificar um conjunto de estratégias a implementar, estando explícito as suas limitações, as suas dificuldades e as suas áreas fortes. Criando condições que promovam o seu bem-estar físico e psicológico, recorrendo às áreas de interesse do individuo com SA.

A intervenção passa por elaborar um Programa Educativo Individual (PEI), em conjunto com a família e a equipa multidisciplinar.

Temos métodos de intervenção global dos indivíduos com SA, direccionados para o transtorno de Autismo, tais como o Método TEACH (Treatment and Education of Autistisc and Communication-handiccaped Children), estrutura e organiza um ambiente de bem-estar visando promover a aprendizagem nos indivíduos com SA. Um outro método é o ABA (Applied Behavior Analysis), que é uma técnica cognitivo-comportamental, este recorre ao treino condicionado (com reforço ou punição sistemáticos perante comportamentos adequados ou desadequados).

Nos indivíduos com SA, verificam-se determinadas limitações ao nível da linguagem, nomeadamente na área pragmática, da semântica e da prosódia. Contudo podemos realizar uma intervenção promotora da linguagem nessas áreas, sobretudo através da expressão plástica e dramática.

Por se considerar que a SA se enquadra no conceito das perturbações pervasivas do desenvolvimento, sendo considerada uma vertente do autismo, as técnicas de intervenção em SA recorrerem às já existentes no espectro do autismo.

Contudo, todos os passos dados devem visar a qualidade de vida e a plena inserção na sociedade do indivíduo com SA, assim como explorar as capacidades do mesmo, aplicando estratégias de intervenção eficazes, de modo a todos façamos parte do mesmo mundo da mesma sociedade, respeitando as diferenças, promovendo a inclusão.

 

CURIOSIDADES

Suspeita-se que Albert Einstein, o físico Isaac Newton, o compositor Mozart e o pintor renascentista Miguel Ângelo também fossem portadores da síndrome, além do cineasta Stanley Kubrick e do filósofo Wittgenstein, bem como Andy Warhol. Outra Asperger de sucesso chama-se Temple Grandin, nos Estados Unidos, uma engenheira e zoóloga, professora universitária. Outro Asperger de sucesso é Syd Barret, vocalista, guitarrista e compositor do Pink Floyd, que devido ao Síndrome de Asperger, viria a só participar no primeiro álbum (maioritariamente) e, minoritariamente, no segundo álbum da banda. Também o vocalista da banda australiana The Vines, Craig Nicholls, foi diagnosticado com a síndrome. Nicholls catalisa toda a sua inteligência na música, criando climas energéticos e totalmente psicadélicos, estando, no entanto, afastado de quase todo o relacionamento social.   

 Referências:

Cumine, Val, et alii (2006). Compreender a Síndroma de Asperger- Guia Prático para Educadores. Porto,Porto Editora, pp. 1-30

Clique em:

Artigo de Psicologia de Paulo Teixeira; Blog Amar-Ela, Sindrome de Asperger; Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger; Inclusivamente Aspie

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